O Brasil aprendeu a se informar pelo fone de ouvido: o que o Dia do Podcast diz sobre quem cria
São sete da manhã e alguém está no ônibus, fone no ouvido, ouvindo o resumo das notícias do dia. Ao meio-dia, no intervalo do almoço, outra pessoa termina o episódio que começou ontem sobre a história da ditadura. No fim da tarde, na academia, entre uma série e outra, um podcast de esportes analisa a rodada do fim de semana. À noite, alguém lava a louça enquanto escuta uma conversa sobre saúde mental. E, num ateliê, uma artesã passa horas trabalhando com um videocast de política rodando na tela ao lado.
Nenhuma dessas pessoas precisou esperar o horário do jornal na TV, comprar uma revista ou parar o que estava fazendo para se informar. Escolheram o assunto, escolheram quem queriam ouvir e encaixaram isso na própria rotina. Essa talvez seja a maior transformação que o podcast trouxe para o Brasil: a informação deixou de depender de uma grade de programação.
Nesta quarta-feira, 21 de outubro, é o Dia Nacional do Podcast. A data homenageia o Digital Minds, de Danilo Medeiros, considerado o primeiro podcast brasileiro, publicado em 21 de outubro de 2004. Mais de duas décadas depois, o formato deixou de ser nicho e virou parte de como o país conversa, aprende e se informa.
Do horário do jornal ao play a qualquer hora
Durante décadas, quem decidia o que o Brasil ia saber era um grupo pequeno de veículos: a TV aberta, as grandes rádios, os jornais impressos. A informação tinha hora para chegar e um recorte definido por poucas redações.
Esse cenário mudou. Segundo o Digital News Report 2025, do Instituto Reuters, só cerca de 10% dos brasileiros ainda leem jornal impresso e a TV segue perdendo espaço como fonte de notícias. Ao mesmo tempo, 78% se informam por sites, aplicativos e podcasts e o áudio já é fonte de notícias para cerca de 1 em cada 10 brasileiros.
O podcast entra nessa virada com uma vantagem própria: ele não disputa a atenção com o resto da vida, ele acompanha. Não exige tela, não exige tempo livre e não exige a mesma bagagem de leitura que um texto longo. Só um celular e um fone. E, com o videocast, também pode ser assistido por quem prefere ver o rosto de quem está falando.
Onde o Brasil escuta
Os dados confirmam o que o começo deste texto sugere. O Spotify identificou que quase 8 em cada 10 ouvintes de podcast na plataforma dão o play em dias úteis, com picos às 8h e às 17h, os horários de ida e volta do trabalho.
Na prática, o podcast ocupa os espaços que antes ficavam em silêncio:
- No deslocamento: no ônibus, no metrô, no carro, na moto, entre uma entrega e outra.
- Durante o trabalho: em funções manuais ou repetitivas, para quem costura, pinta, cozinha, dirige ou organiza estoque.
- Nos intervalos: no almoço, na fila, no café, entre uma tarefa e outra.
- Em casa: lavando a louça, dobrando roupa, cuidando das plantas.
- Com o corpo em movimento: na academia, na caminhada, na corrida de domingo.
Cada um desses momentos virou uma oportunidade de aprender alguma coisa.
Um país que escuta
Os números mostram o tamanho dessa mudança. Segundo a PodPesquisa 2024/2025, da Associação Brasileira de Podcasters (ABPod), o Brasil tem cerca de 32 milhões de ouvintes de podcast, e mais de 40% deles escutam todos os dias. Levantamentos internacionais colocam o país entre os líderes mundiais do formato: a Statista Consumer Insights apontou o Brasil no topo do consumo de podcasts em 2025, com 51% das pessoas ouvindo ao menos ocasionalmente e o relatório Digital 2025 Brazil, do DataReportal, indica que perto de 39% da população conectada consome podcasts.
As pesquisas usam metodologias diferentes, então os percentuais variam. Mas todas apontam na mesma direção: o brasileiro escuta muito, com frequência e cada vez mais.
Cada pessoa escolhe o que quer ouvir
Se a TV aberta oferece a mesma grade para todo mundo, o podcast funciona como uma biblioteca em que cada pessoa monta a própria estante. Quem quer entender política escolhe um podcast de política, quem gosta de história segue um podcast de história. Quem quer acompanhar futebol, cultura pop, saúde mental ou as fofocas da semana encontra exatamente isso.
Essa variedade aparece também na APOIA.se, onde podcasters de nichos muito diferentes são sustentados pelas próprias comunidades:
- jornalismo independente
- política
- história
- esportes
- informação e atualidades
- desenvolvimento humano
- fofoca e entretenimento
É essa personalização que torna o acesso mais democrático. Não porque todo mundo consome a mesma coisa, mas porque cada pessoa encontra uma porta de entrada que faz sentido para ela. E quem entra por uma porta costuma ir mais longe: o episódio sobre o time do coração leva a uma conversa sobre gestão de clubes, o podcast de fofoca abre espaço para discutir comportamento e mídia, o de desenvolvimento humano puxa temas de saúde e trabalho. Episódio após episódio, as pessoas vão se letrando em assuntos que antes pareciam tão distantes.
E quem faz essas conversas acontecerem, na maioria das vezes, são fazedores independentes: gente que pesquisa, grava, edita e publica por conta própria, muitas vezes sem nenhuma grande empresa por trás.
O podcast também virou vídeo
O formato segue se transformando. Hoje, falar de podcast é falar também de vídeo e o Spotify, maior plataforma de áudio do mundo, está apostando alto nisso.
No Investor Day de 2026, a empresa informou que mais de 500 milhões de usuários já assistiram a um videocast na plataforma, um crescimento de quase 50% em um ano. O tempo gasto com conteúdo em vídeo no Spotify mais que dobrou, puxado principalmente pelos videocasts. Em janeiro de 2026, a empresa revelou ter investido mais de US$ 10 bilhões no ecossistema de podcasts nos últimos cinco anos e lançou ferramentas para facilitar a publicação de vídeo vindo de outras plataformas. A aposta foi longe o suficiente para incluir uma parceria com a Netflix, que passou a exibir videocasts do Spotify em 2026.
Do lado de quem escuta, a mudança também é clara: uma pesquisa da Acast com a Differentology, de agosto de 2025, mostrou que 79% dos ouvintes mensais de podcast assistem a versões em vídeo pelo menos de vez em quando.
Para quem cria, isso significa mais formas de se relacionar com o público, mas também mais trabalho, mais equipamento e mais custo. Gravar em vídeo não é só ligar uma câmera.
Audiência grande não é o mesmo que trabalho sustentável
Aqui está o ponto que nem sempre aparece nas manchetes. O podcast cresce, as plataformas crescem, a audiência cresce. Mas isso não garante que quem produz consiga continuar produzindo.
Boa parte dos podcasters brasileiros depende de anúncios, de publis pontuais ou de algoritmos que mudam sem aviso. Nas plataformas de streaming, o fazedor muitas vezes não sabe quem são as pessoas que escutam seu trabalho e não tem como falar diretamente com elas. É uma audiência que pertence à plataforma, não ao podcast.
Comunidade é outra coisa. Comunidade é o grupo de pessoas que escolhe sustentar aquele trabalho porque acredita nele e quer que ele continue existindo. Não é sobre ter milhões de plays. É sobre ter algumas centenas de pessoas que fazem questão de que o próximo episódio saia.
Como a APOIA.se se conecta a esse cenário
É por isso que a APOIA.se trabalha junto com o Spotify. Por meio da integração entre as duas plataformas, o podcaster que tem uma campanha de financiamento coletivo recorrente na APOIA.se pode entregar seus episódios exclusivos diretamente no Spotify. O apoiador conecta sua conta e passa a ouvir o conteúdo exclusivo no mesmo aplicativo em que já escuta seus podcasts favoritos, sem precisar alternar entre apps.
Na prática, isso resolve dois problemas de uma vez:
- Para o apoiador, a experiência fica simples: o conteúdo exclusivo está onde ele já está.
- Para o fazedor, a relação continua sendo dele. A base de apoiadores, o conteúdo e a receita seguem sob o controle de quem cria, e não da plataforma de streaming. Os dados são reais, a relação é direta e 87% do valor arrecadado fica com o fazedor.
E agora a integração acompanha a virada do formato: o feed exclusivo da APOIA.se no Spotify também pode receber vídeo exclusivo. Ou seja, o podcaster que já grava em vídeo pode oferecer aos seus apoiadores bastidores, episódios extras e conversas exclusivas em vídeo, entregues no Spotify, sustentadas pela própria comunidade.
O podcast nasceu como uma forma independente de fazer comunicação. Vinte e dois anos depois do Digital Minds, ele é uma das principais portas de acesso à informação para milhões de brasileiros. Celebrar o Dia do Podcast é também lembrar que, por trás de cada episódio que chega ao fone de alguém, existe uma pessoa fazedora que precisa de condições para continuar. Recorrência é sustentabilidade, e comunidade é independência.
Faz podcast e quer entender como transformar sua audiência em comunidade? Conheça a integração da APOIA.se com o Spotify e comece sua campanha.
Quer consumir mais podcasts? Conheça aqui as campanhas de destaque na APOIA.se
Fontes
- ABPod, PodPesquisa 2024/2025, citada em: Publicidade em Podcasts no Brasil, Austral Comunicación
- Statista Consumer Insights 2025, via Castnews: Brasil lidera consumo de podcasts no mundo
- DataReportal, Digital 2025: Brazil
- TecMundo: Dia Nacional do Podcast e o Digital Minds
- Canaltech: Fan Study do Spotify sobre audiência em dias úteis
- Instituto Reuters, Digital News Report 2025, via Poder360 e Nosso Meio
- Podder: estatísticas do Spotify em 2026 (Investor Day e resultados do 2º tri)
- eMarketer: Spotify e Netflix e o crescimento dos videocasts
- PodcastVideos: investimento de US$ 10 bi do Spotify em podcasts
- Mundo do Marketing: Spotify amplia monetização com integração da APOIA.se